terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sem Razão - Michel Ramalho



Onde estão as mãos
Que ao final de cada dia permanecem estendidas?
A parte do tempo onde mora o momento
Em que pode chamar-se o leito e encontrar o paraíso?
É realmente preciso chegar e partir,
E encontrar a saudade logo depois de sorrir?

Nostálgico é o cheiro das flores invisíveis,
Do abraço solitário,
Das noites em que não se fazia necessário
O “sim” ou o “não”.

É a maldição do poeta
Que alimenta sua triste alegria
Com ilusões,
Insistente em crer no que não existe no aqui.
O pranto se torna em ponta,
Daquelas de felicidade,
Um dia sonhada, não solitária,
E logo mais vivida.

A estrada viu o brilho de cada lagrima.
E doeu no corpo o batismo noturno da chuva,
Dessas de verão,
Em que o fim se fez inicio,
E logo um eterno adeus.

Enfim.
Ditamos um preço,
E de fato pagamos.
Proclamávamos o certo,
Mas ao todo erramos.
Falamos de morte,
Mas terminarmos por ter nossas próprias vidas.
Ao menos nos restam belas palavras.

Obrigado tempo,
Por fazer de cada um,
Um escravo da intuição irracional,
E razão que, infelizmente, não é nada emocional.

Michel Ramalho.
11 de dezembro de 2012.

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